Sinto-me parada. Parada no tempo. Todo mundo feliz, seguindo a vida bem e com um belo sorriso no rosto, e eu aqui sem expressão alguma no rosto e repito: parada. Parada na dele, naquele jovem rapaz. Bonito, acho que seria pouco. Lindo, quase uma perfeição diante dos meus olhos e de metade do mundo. Lábios grandes que quase nunca viram um sorriso na vida. Olhos pequenos e verdes. E quando me perdia naqueles olhos era a mesma coisa em que mergulhar em um oceano calmo e profundo em um fim de tarde. A mesma sensação de entrar em uma piscina em que seus pés não alcancem mais o piso. Ou pode-se comparar com aquele último brinquedo, o mais bonito, porém o mais difícil de pegar. E ás vezes quando sentes que estás perto de agarrar, escorrega e pronto! Estaca zero novamente. É assim que eu me sinto em relação a ele. Longe, distante quase no fim da rua e às vezes tão perto, como se ele já estivesse em meu futuro. Estranho, não acha?
Era para ter sido apenas mais história, com algumas músicas que traduziam o pouco sentimento. Mas foi mais, teve coração, teve desejo, teve vontade de morrer abraçado com ele. Teve vontade de abraçá-lo e só. Parar os minutos, os dias e só. Ficar ali pra sempre, admirando tamanha beleza e sentindo o estomago revirar de tanto amor. Não sentindo todo o resto do corpo, só algumas partes que se tornam involuntárias perto dele.
Sem falar na sensação que fica quando ele se vai, alguma coisa por dentro grita pela volta, grita por algum olhar e é ai que entram todas as lembranças. Lembranças, lágrimas iluminadas pela luz fraca do celular. E a saudade grita por você, chama seu nome e sobrenome soletrados. Eu preciso esquecê-lo, não que eu queira sabe? Mas eu preciso, antes que tudo piore mais e se piorar mais não sei o que vai ser. Justo ele, que preserva tanto a justiça, roubou a minha paz, roubou toda a alegria que eu sentia por viver. E é por isso que vou procurar me manter afastada e quando souber de alguma noticia boa, vou fingir que nada aconteceu, mas vou estar feliz por ele, por estar feliz porque ele é feliz sem mim. E se estiveres triste, eu largo tudo, abandono qualquer plano para ficar ali e seguro a mão dele, que quase cobre a minha e se me pedir pra esquecer tudo o que eu estou escrevendo aqui, eu esqueço. Se me pedir pra nunca mais olhar, eu não olho. Só não me peças para não chorar, porque é impossível. Como foi impossível não te gostar tanto assim. Mesmo que não dê em nada, nunca vou esquecer-me do amor irracional que ele me fez sentir, nunca vou me esquecer do sentimento diferente que só ele me fez valer e vou lamentar-me pelo resto de meus dias: poderia tê-lo amado mais, protegido ele mais e ter ficado por perto mais. Porque sei que vou me arrepender desta ultima decisão: afastar-me. Sei que é uma atitude burra, uma atitude cega, mas eu repito: eu não quero, eu preciso. Tão pouco tempo perto dele e vou desperdiçá-lo, vida injusta. E daqui um tempo, vou ouvir mil músicas e vou lembrar-me das suas palavras, da sua voz doce e da sua necessidade em não me machucar, em não me decepcionar. E ai eu não vou suportar mais lembrar e tentarei me convencer de que se perdeu, ele se perdeu de mim e pronto. Passou. Vai passar. E vou me pegar pensando: estou feliz de novo.
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