quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

tarde toda passou mais lenta do que os últimos três meses. Eles foram tão rápidos que nem vi direito. Nem pude guardar com todos os detalhes a imagem dele segurando o travesseiro sobre os olhos para impedir a luz da televisão ligada de atrapalhar seu sono tardio. E o jeito como os lábios ficavam à mostra, me chamando, como sempre foi, desde que me lembro. Desde quando não podiam me chamar e eu não podia responder ao chamado. Não guardei direito também as feições do rosto dele iluminado pela luz improvisada de um celular - só porque o que conversávamos era tão grande que os olhos se faziam necessários para que as frases se fizessem completas. Da mesma forma mal-iluminada que estava naquela sala escura, onde beijo nenhum aconteceu porque o físico já era aos poucos transcendido, antes mesmo de ter vez. E a imagem do físico chegando me some também cada vez que procuro lembrar. Não que eu não lembre, eu lembro, eu sinto ainda como agora. É só minha vontade de querer guardar comigo todo detalhe, todo centímetro dele comigo, todo ruído de risada, toda sílaba de declaração. Meu impulso por ter tudo ao mesmo tempo, por medo de que acabe e depois eu não possa mais nem lembrar.

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